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Como simular um empréstimo pessoal antes de assinar

Por Felipe Diogo, CFO · publicado em 30 de maio de 2026

Contratar um empréstimo sem simular antes é como assinar um contrato sem ler: você só descobre o tamanho do problema depois. A boa notícia é que simular ficou fácil — e 20 minutos de comparação podem economizar milhares de reais. Este guia mostra o que olhar (spoiler: não é só a parcela), quais taxas são normais em cada modalidade e como fugir das armadilhas mais comuns do crédito pessoal no Brasil.

O número que importa não é a parcela — é o CET

Bancos adoram anunciar "parcelas que cabem no bolso". Mas parcela baixa com prazo longo costuma esconder juros altos. O número que permite comparar propostas de verdade é o CET (Custo Efetivo Total): ele soma juros, IOF, tarifas de cadastro e seguros embutidos, e é expresso em taxa anual. Por lei, toda instituição é obrigada a informá-lo antes da assinatura.

Regra prática: peça o CET das propostas e compare só isso. Duas ofertas com a "mesma taxa de juros" podem ter CETs muito diferentes por causa das tarifas.

Quanto custa cada modalidade (ordem de grandeza)

As taxas variam com seu perfil e relacionamento bancário, mas a hierarquia raramente muda:

Modalidade Taxa típica (ao mês) Quando faz sentido
Consignado (INSS/CLT/servidor) 1,5% a 2,1% Sempre que disponível — é o crédito pessoal mais barato
Empréstimo com garantia (veículo/imóvel) 1,2% a 2,5% Valores altos e prazos longos
Empréstimo pessoal em banco 3% a 8% Sem acesso a consignado/garantia
Cartão de crédito parcelado 8% a 15% Raramente
Rotativo do cartão / cheque especial acima de 12% Nunca como plano — só emergência de dias

Com a Selic alta como agora, todas as pontas sobem — mais um motivo para comparar antes de assinar.

Simule em 5 passos

  1. Defina o valor mínimo necessário. Cada real emprestado paga juros; arredondar "pra cima por segurança" custa caro.
  2. Colete 3 propostas ou mais — seu banco, um banco digital e uma fintech de crédito. A concorrência entre elas é seu poder de barganha.
  3. Anote de cada uma: CET anual, valor da parcela e total a pagar. O total a pagar (parcela × número de parcelas) torna o custo visceralmente visível.
  4. Teste prazos diferentes. Na nossa calculadora de empréstimo, veja o mesmo valor em 12, 24 e 36 meses: a parcela cai com o prazo, mas o total pago sobe — encontre o ponto de equilíbrio do seu orçamento.
  5. Desconfie da taxa "a partir de". A taxa anunciada é para o melhor perfil de crédito. A sua taxa real só aparece na simulação com CPF.

Exemplo com números redondos

Empréstimo de R$ 10.000:

Cenário Taxa Prazo Parcela Total pago
Consignado 1,8% a.m. 24 meses R$ 516 R$ 12.384
Pessoal (banco) 4,5% a.m. 24 meses R$ 690 R$ 16.560
Pessoal (banco) 4,5% a.m. 48 meses R$ 478 R$ 22.944

Repare no terceiro cenário: a parcela de R$ 478 parece mais "confortável" que a de R$ 690, mas o total pago é R$ 6.384 maior. É exatamente assim que o prazo longo disfarça o custo. Para descobrir a taxa que está escondida numa proposta que só informa parcela e prazo, use a calculadora de taxa de juros.

Armadilhas frequentes

  • Seguro prestamista "embutido": é opcional na maioria dos casos. Peça a simulação sem ele e compare.
  • Liberação na hora com taxa surpresa: pressa é inimiga. Proposta válida hoje continuará válida amanhã.
  • Refinanciar dívida barata com crédito caro: só troque dívida se o CET novo for menor que o atual.
  • Emprestar o nome: a dívida é de quem assina, não de quem usa o dinheiro.

Antes de assinar, responda três perguntas

  1. O CET desta proposta é o menor que consegui entre 3+ instituições?
  2. A parcela cabe no orçamento mesmo num mês ruim (férias, 13º atrasado, imprevisto)?
  3. Existe alternativa mais barata — consignado, garantia, ou simplesmente adiar a compra?

Se as três respostas forem sim, sim e não, o empréstimo está bem contratado. Faça a simulação completa na calculadora de empréstimo e leve os números prontos para a negociação — quem chega com o CET na mão negocia em outro nível.

Use a calculadora relacionada

Calculadora de Empréstimo

Felipe Diogo · CFO

Felipe Diogo é CFO com 12 anos de experiência no mercado financeiro, pós-graduado pela SUNY (State University of New York) e pela Fundação Dom Cabral (FDC). Escreve guias práticos sobre juros, crédito e finanças pessoais.